terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A Novidade


Para essa minha primeira postagem, invoco o tema da mudança, da superação do estabelecido. Li recentemente o romance “um cântico para Leibowitz” de Walter Miller Jr. Está classificado como ficção científica, mas preenche bem poucos requisitos desse gênero, em minha opinião. Para mim, é um texto que recria todo o movimento de evolução e revolução desde a alta Idade Média até o século XX. Tudo isso foi desenvolvido alegoricamente com a descrição do remanescente sobrevivente de uma guerra nuclear. É um texto com grandes questões. O debate infindo sobre os limites que deveriam ou não serem impostos para o desenvolvimento intelectual e científico. Como ilustração, separei uma passagem que representa bem essa problemática. É a fala da personagem de um filósofo que faz lembrar muito Descartes.

 

— Concluindo — disse — é este um rápido apanhado do que o mundo pode esperar, na minha opinião, da revolução intelectual que está principiando. — Olhou em volta da sala e a sua voz passou do natural a um tom fervoroso. — A ignorância tem reinado sobre nós. Desde a morte do império, é ela que tem dominado o Homem sem encontrar resistência. A sua dinastia é antiqüíssima e o seu direito de reinar já é hoje considerado legítimo. Os sábios do passado assim o afirmaram e nada fizeram para destroná-la. Amanhã, porém, um outro príncipe reinará. O seu trono será cercado por homens de sabedoria e de ciência, e o universo conhecerá o seu poder. O seu nome é "Verdade". O seu império se estenderá por toda a Terra. E o poder do Homem sobre ela será restabelecido. Dentro de um século, os homens voarão pelo ar dentro de pássaros mecânicos. Carruagens de metal correrão pelas estradas pavimentadas pelo Homem. Haverá construções de trinta andares e máquinas para fazer todos os trabalhos. E de que maneira acontecerá tudo isso? — Parou um pouco e abaixou a voz. — Da maneira pela qual todas as grandes mudanças se processam, infelizmente. E lamento que seja assim. Acontecerá por meio da violência e de levantes, do fogo e da fúria, pois, no mundo, nenhuma mudança jamais se realizou tranqüilamente.”

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