“Cada opinião, cada observação é
necessariamente parcial, truncada, insuficiente”. Em filosofia e seja no que
for, a originalidade se limita a definições incompletas. (Cioran: De l’inconvénient
d’être né).
O quanto desejamos que nossas
ideias sejam completas, que digam tudo o que esperamos delas. Escrevemos livros
com o propósito de forjar um termo, segundo a intuição de que, havendo rigor na
concepção, ele instituirá algo indestrutível, para não dizer imortal. É o que
nos resta de metafísica. Falamos de ideias como se falássemos de formas
inteligíveis e eternas. Escrevemos livros como se transcrevêssemos os
mandamentos do Deus. Talvez, por um segundo antes de se conceber um grande
livro, devêssemos nos humilhar diante do mundo e nos embasbacar com a teia
caótica de ideias perdidas e reencontradas num ciclo sem fim. Atuamos no plano
da parcialidade. Há olhares baços e agudos, mas nunca o olhar absolutamente
baço ou agudo. A grande ideia é sempre uma fatia maior recortada do caos. Nunca
estará completa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário