quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A grande ideia nasce pra ser incompleta


“Cada opinião, cada observação é necessariamente parcial, truncada, insuficiente”. Em filosofia e seja no que for, a originalidade se limita a definições incompletas. (Cioran: De l’inconvénient d’être né).

 

O quanto desejamos que nossas ideias sejam completas, que digam tudo o que esperamos delas. Escrevemos livros com o propósito de forjar um termo, segundo a intuição de que, havendo rigor na concepção, ele instituirá algo indestrutível, para não dizer imortal. É o que nos resta de metafísica. Falamos de ideias como se falássemos de formas inteligíveis e eternas. Escrevemos livros como se transcrevêssemos os mandamentos do Deus. Talvez, por um segundo antes de se conceber um grande livro, devêssemos nos humilhar diante do mundo e nos embasbacar com a teia caótica de ideias perdidas e reencontradas num ciclo sem fim. Atuamos no plano da parcialidade. Há olhares baços e agudos, mas nunca o olhar absolutamente baço ou agudo. A grande ideia é sempre uma fatia maior recortada do caos. Nunca estará completa.

 

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