Para essa minha primeira
postagem, invoco o tema da mudança, da superação do estabelecido. Li recentemente
o romance “um cântico para Leibowitz” de Walter Miller Jr. Está classificado
como ficção científica, mas preenche bem poucos requisitos desse gênero, em
minha opinião. Para mim, é um texto que recria todo o movimento de evolução e
revolução desde a alta Idade Média até o século XX. Tudo isso foi desenvolvido
alegoricamente com a descrição do remanescente sobrevivente de uma guerra nuclear.
É um texto com grandes questões. O debate infindo sobre os limites que deveriam
ou não serem impostos para o desenvolvimento intelectual e científico. Como ilustração,
separei uma passagem que representa bem essa problemática. É a fala da
personagem de um filósofo que faz lembrar muito Descartes.
“— Concluindo —
disse — é este um rápido apanhado do que o mundo pode esperar, na minha
opinião, da revolução intelectual que está principiando. — Olhou em volta da
sala e a sua voz passou do natural a um tom fervoroso. — A ignorância tem
reinado sobre nós. Desde a morte do império, é ela que tem dominado o Homem sem
encontrar resistência. A sua dinastia é antiqüíssima e o seu direito de reinar
já é hoje considerado legítimo. Os sábios do passado assim o afirmaram e nada
fizeram para destroná-la. Amanhã, porém, um outro príncipe reinará. O seu trono
será cercado por homens de sabedoria e de ciência, e o universo conhecerá o seu
poder. O seu nome é "Verdade". O seu império se estenderá por toda a
Terra. E o poder do Homem sobre ela será restabelecido. Dentro de um século, os
homens voarão pelo ar dentro de pássaros mecânicos. Carruagens de metal
correrão pelas estradas pavimentadas pelo Homem. Haverá construções de trinta
andares e máquinas para fazer todos os trabalhos. E de que maneira acontecerá
tudo isso? — Parou um pouco e abaixou a voz. — Da maneira pela qual todas as
grandes mudanças se processam, infelizmente. E lamento que seja assim.
Acontecerá por meio da violência e de levantes, do fogo e da fúria, pois, no
mundo, nenhuma mudança jamais se realizou tranqüilamente.”